Professora da UVA tem Minas Gerais como base para doutorado
21 de dezembro

Professora da UVA tem Minas Gerais como base para doutorado

Geral

A professora da Universidade UVA Angelita Ferrari, que ensina diversas disciplinas na instituição, está produzindo o seu trabalho de doutorado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Juiz de Fora, Minas Gerais. A professora vem dando continuidade às pesquisas sobre a Viscondessa de Cavalcanti, grande incentivadora da criação do Museu Mariano Procópio, localizado na cidade mineira, para o qual doou a maior parte de suas obras, acumuladas durante décadas. Mesmo morando em Pernambuco, a professora e pesquisadora optou por usar o Museu Mariano Procópio como fonte. O estudo, dessa vez, aprofundará os relacionamentos sociais da colecionadora que permitiram montar um acervo tão vasto.

Em 2013, Angelita Ferrari publicou o livro “A Coleção de Pinturas em Miniatura da Viscondessa de Cavalcanti no Museu Mariano Procópio”, que reúne 104 pinturas em miniaturas do acervo da instituição, de diferentes técnicas e temáticas. As imagens retratadas no livro formam uma coleção de obras produzidas entre os séculos 18 e 20, mas, principalmente, do século 19, e apresentam uma diversidade de técnicas e temáticas, como retratos, cenas de gênero, animais, paisagens e natureza-morta.

Angelita Ferrari está em Minas Gerais colhendo dados e deverá visitar Juiz de Fora em outras ocasiões até a conclusão do doutorado, em 2021. Orientada pelo professor Alex Vailati, decidiu focar na rede de relacionamentos da viscondessa, além de estudar a família, tanto a parte dos Cavalcanti quanto a dos Ferreira Lage, e como a partir de sua coleção ela se manteve na elite de colecionadores da época.

“No mundo dos colecionadores do Século XIX, não bastavam os recursos financeiros para ter o objeto mais importante ou mais procurado. Era necessário, também, conhecer outros colecionadores, artistas, marchands, leiloeiros, para assim ter as melhores informações e acesso ao que se queria colecionar. Além disso, uma coleção é formada por dezenas, centenas e até milhares de objetos que têm uma história de produção, divulgação, comercialização e, por fim, apropriação pelo colecionador que, no que chamamos de Antropologia dos Objetos, pode ser estudada como uma oportunidade de analisar todo um entrelaçamento de relações sociais e familiares”, afirma a professora e pesquisadora em seu estudo.

Quem foi a Viscondessa de Cavalcanti
Amélia Machado Coelho nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1853. Em 1871, casou-se com o Conselheiro Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque, agraciado com o título de Visconde de Cavalcanti, um dos estadistas mais conceituados do Império, senador, além de ter sido presidente das províncias do Ceará, do Piauí e de Pernambuco, além de ministro de quatro pastas: Negócios Estrangeiros, Agricultura, Justiça e Comércio e Obras Públicas.

A viscondessa era prima de Alfredo Ferreira Lage, colecionador como ela, e foi grande incentivadora da criação do Museu Mariano Procópio, doando diversas obras, dente elas, a coleção de miniaturas. Uma delas integra o patrimônio do museu desde a década de 1930. Outros itens em destaque são os postais e os leques com assinaturas de intelectuais, artistas, políticos, dentre outras figuras públicas conhecidas da época.