O mercado muito além da universidade – O desafio do novo Ensino Médio
14 de outubro

O mercado muito além da universidade – O desafio do novo Ensino Médio

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Sete em cada dez alunos brasileiros cursam o Ensino Médio com o objetivo de se preparar para o vestibular, mas só um a cada dez correlaciona essa etapa ao preparo para a vida. Os dados da pesquisa Repensar o Ensino Médio, do Movimento Todos Pela Educação, expõem o que, para muitos especialistas, tem sido um dos erros básicos do Brasil quando o tema é fim da educação básica: condicionar o ensino ao ingresso na formação superior. Ao buscar a marcação do “x”, estudantes e professores acabam deixando de lado o interesse pelo aprendizado. O novo Ensino Médio se propõe ao desafio de reverter essa lógica.

O currículo atual é essencialmente cognitivo. Há outra dimensão no processo educativo, tão ou mais relevante, que é o desenvolvimento de competências socioemocionais. Saber trabalhar em equipe, ter determinação, própria visão, aprender a ouvir”, defende Marcos Magalhães, do ICE

O modelo de Ensino Médio atual do Brasil tem fundamentação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996. Ao propor uma mudança na estrutura curricular para etapa final da educação básica, a nova legislação, conhecida como lei da reforma do ensino médio, pretender modernizar e qualificar essa etapa do ensino para que os alunos possam se preparar melhor e seguir tanto para o ensino superior como para o mundo do trabalho.

Um dos defensores do novo Ensino Médio, o presidente do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE), Marcos Magalhães, diz que a mudança permitirá ao jovem saber fazer escolhas. “O currículo atual é essencialmente cognitivo. Há outra dimensão no processo educativo, tão ou mais relevante, que é o desenvolvimento de competências socioemocionais. Saber trabalhar em equipe, ter determinação, própria visão, aprender a ouvir”, acrescenta.

O aluno tem direito de fazer escolhas para se preparar para o futuro. A busca não é mais questão de disciplinas, mas de trabalhar em sala de aula de maneira diferente”, diz Mozart Neves, do Instituto Ayrton Senna

É o que também defende o diretor de Inovação e Articulação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves. “O aluno tem direito de fazer escolhas para se preparar para o futuro. A busca não é mais questão de disciplinas, mas de trabalhar em sala de aula de maneira diferente”, diz. Para ele, um dos desafios para o êxito do novo Ensino Médio é investir em infraestrutura, como na internet das escolas.

Base Nacional Comum Curricular

As mudanças propostas pela Lei ainda vão demorar um pouco para chegar à sala de aula. Isso porque a nova estrutura depende da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para ser colocada em prática. Em processo de elaboração pelo Ministério da Educação, a BNCC deve ser apresentada ao Conselho Nacional de Educação (CNE) ainda este ano e homologada ano que vem, quando passa a ser norma nacional.

Depois de publicada a BNCC, as instituições educacionais, sejam elas públicas ou privadas, terão que estabelecer um cronograma para implantação da nova estrutura curricular que prevê uma parte comum e obrigatória para todos os alunos – com as competências e os conhecimentos definidos pela Base Nacional Comum Curricular – e outra parte flexível que oferece itinerários formativos nas áreas de conhecimento ou formação técnica profissional. Feito isso, as mudanças devem entrar em vigor a partir de 2019.

Para o diretor de Políticas Públicas do Todos pela Educação, Olavo Nogueira, o novo Ensino Médio acerta ao ampliar o tempo de permanência na escola e em tornar o itinerário de aprendizagem mais flexível. “Há ainda um caminho longo a percorrer, em educação básica como um todo, na estrutura de atuação na gestão da escola”, pontua.

Com informações do MEC