No lugar da demissão, auxiliares de limpeza são alfabetizados por patrões
4 de dezembro

No lugar da demissão, auxiliares de limpeza são alfabetizados por patrões

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A história é a seguinte: A community manager da WeWork Paulista, um espaço de trabalho compartilhado localizado na Avenida Paulista, bairro dos Jardins, área nobre de São Paulo, levou um susto ao descobrir que 50% dos funcionários contratados para a limpeza do local eram analfabetos ou, no máximo, analfabetos funcionais.

A supresa foi grande. Ao pedir para que a equipe preenchesse um relatório diário informando o cronograma de limpeza do espaço, ela soube da situação dos funcionários. O relatório deveria ser preenchido pelos funcionários da limpeza todos os dias dizendo se a sala programada tinha sido limpa e, caso não, deveria haver um comentário explicando a razão.

Nas fotos, o grupo na cerimônia de formatura, marcada por muita, muita emoção!

“O relatório demorou uma semana pra chegar e, quando veio, o banheiro virou um caos. Não entendi nada e decido fazer uma reunião. Foi quando descobri que 50% do time (terceirizado) era iletrado”, escreveu Nátaly Bonato, a community manager da WeWork Paulista, no Facebook.

Mas a reação da empresa é que fez a diferença. Provavelmente, qualquer empresário pensaria de cara: vou me desfazer da equipe, trocá-la por pessoas que consigam preencher o formulário. Mas a WeWork Paulista pensou diferente. Ao invés de trocar a equipe, Nátaly teve uma ideia muito melhor: procurar nas escolas que fazem parte da WeWork alguém que pudesse alfabetizar os auxiliares de limpeza. Foi assim que ela conheceu a pedagoga Dani Araújo, da MasterTech, que topou o desafio.

“As pessoas não são descartáveis. Eu não queria que alguém passasse pela minha vida sem ter o meu melhor, sem que eu pudesse tentar. Então, eu não queria que eles saíssem daqui um dia e continuassem tendo aquelas profissões por que eles não tinham escolha”, diz Nátaly Bonato.

As aulas aconteciam às terças e quintas-feiras, no horário de almoço, e duravam 1 hora e meia. “Foi ousado participar desse projeto. Não tinha experiência com letramento para adultos. Vibrei e chorei com cada conquista que fazíamos juntos, me sinto privilegiada pelo aprendizado que eles me proporcionaram”, afirmou a pedagoga, que continuou dando as aulas mesmo depois de se desligar da MasterTech.