Brasil tem sete milhões de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar
30 de agosto

Brasil tem sete milhões de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar

Geral

Dos 35 milhões de estudantes matriculados no ensino fundamental e médio das redes públicas de ensino do Brasil, sete milhões possuem dois ou mais anos de atraso escolar. Ou seja, nada menos do que 20% das crianças e adolescentes que frequentam escolas públicas no País. Esses dados fazem parte do estudo “Panorama da distorção de idade-série no Brasil”, divulgado nesta quarta-feira (29/8) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Por só considerar as redes públicas de ensino, os números do atraso podem ser ainda maior.

Distorção idade-série no Brasil

Fundamental 1 – 1.713.6371.713.637
Fundamental 2 – 2.988.9682.988.968
Ensino Médio – 2.117.6732.117.673

* Os números só consideraram as redes públicas e estaduais

E, como esperado, as regiões que apresentaram os indicadores mais elevados foram o Norte e Nordeste, com 41% e 36% dos estudantes com atraso na vida escolar, respectivamente. De acordo com o Unicef, a partir do estudo foi possível identificar que no ensino médio mais de 2,2 milhões de adolescentes estão em situação de distorção idade-série (com atraso escolar), o que corresponde a 28% dos jovens dessa etapa. Este é o maior percentual de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar.

As regiões brasileiras apresentaram de forma desigual a distorção de idade-série. Nas zonas urbanas, as populações indígenas e negras são as mais afetadas no que se refere à taxa de estudantes que estão com dois ou mais anos de atraso escolar: 12,6% são brancos, 9,4% são negros e 33,1% são indígenas.

Já na zona rural, o padrão da desigualdade é mais alarmante. Entre os negros e indígenas, a taxa de distorção é de 35,7% e 44,7%, respectivamente, mas entre os brancos fica em 18,2%. Em termos de gênero, ainda na zona rural, foi possível observar que a situação é mais grave no 6º ano, com 50% dos meninos e 30% das meninas matriculados em atraso escolar.

“Os mais afetados pelo atraso escolar são meninas e meninos vindos das camadas mais vulneráveis da população, já privados de outros direitos. Por isso, é urgente desenvolver estratégias específicas para alcançar esses diferentes grupos populacionais”, explica Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.