Ainda não é boa, mas educação de Pernambuco mantém destaque em meio ao caos
3 de setembro

Ainda não é boa, mas educação de Pernambuco mantém destaque em meio ao caos

Acessibilidade

Enquanto o Brasil luta contra a estagnação do ensino médio, Pernambuco continua a dar sinais de avanço na rede pública de ensino. Pelo menos é o que mostram os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017, divulgados semana passada pelo Ministério da Educação (MEC). A pesquisa, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), aponta o Estado como o único do Nordeste a alcançar níveis satisfatórios de aprendizado em português e matemática. Embora a média nacional seja muito baixa na escala de avaliação – é importante ressaltar. De 1 a 9, Pernambuco atingiu o nível 2, que é o mesmo da média nacional.

No País, mais de 70% dos estudantes do ensino médio estão no nível insuficiente de aprendizado em ambas as disciplinas. A estagnação já vem desde 2009. “Estamos agregando quase nada dentro do ensino médio brasileiro. Precisamos avançar com a Base Nacional para dar um norte para o País”, defendeu o ministro Rossieli Soares.
“O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), nosso principal indicador, que vem do Saeb, tem a mesma média desde 2009 no País. Pernambuco tem uma trajetória bastante diferente. Em 2007, o Estado estava entre os últimos do Brasil e ano passado conquistamos a primeira colocação”, destacou o secretário de Educação de Pernambuco, Fred Amâncio.

“No Estado temos um resultado satisfatório – que  ainda está longe do ideal – no ensino médio devido ao quadro de professores e da perseverança da categoria em fazer pressão no governo. Em nível municipal, essa briga ainda é deficitária. Isso pode justificar os números”, aponta Fernando Melo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco.

Em língua portuguesa, a proficiência média dos estudantes pernambucanos foi de 268,7 pontos. Em uma escala de 1 a 9, Pernambuco atingiu o nível 2, igual à média nacional – o que é muito baixo numa análise da escala. Em matemática, o índice ficou em 270,9, que também coloca o Estado no nível 2, o mesmo da média brasileira, em uma escala de 1 a 10. Nessa disciplina, houve ganho de aprendizagem entre os anos de 2015 e 2017 de 3,1 pontos. Em português, no mesmo período, houve redução de 1,5 ponto. “Essa é uma oscilação normal. Na média, temos um resultado positivo”, argumenta o secretário.


Segundo o MEC, Pernambuco é o Estado brasileiro com a menor desigualdade socioeconômica. Em 2017, o Seab passou a contar, pela primeira vez, com a participação voluntária de instituições privadas de ensino. As médias dos alunos de bom nível econômico foram de 289 pontos em português e 294 em matemática. Já a proficiência dos estudantes de baixa renda ficou em 271 e 275, respectivamente. Em outros locais, como o Distrito Federal, a diferença chegou a alcançar 74 pontos.

Os resultados obtidos pelos estudantes mais pobres do ensino médio no Estado estão entre os melhores do País, atrás somente do Espírito Santo. “Isso é fruto do trabalho que a gente tem feito, com a implantação de escolas de tempo integral, oferta de qualificação profissional para professores e acompanhamento de todas as instituições. Ainda há muito o que ser feito, mas estamos no caminho certo”, avaliou Amâncio.

Na outra extremidade, os estudantes cujas famílias têm maiores rendas, obtiveram resultado abaixo da maioria dos Estados brasileiros. Para José Ricardo Diniz, do Sindicato das Escolas Privadas de Pernambuco, o resultado preocupa, mas é difícil de comparar. “Enquanto todas as escolas públicas foram analisadas, apenas parte das particulares consta no estudo”, argumenta.

O Seab traz ainda números da educação brasileira referentes ao 5º e 9º no ensino fundamental. Em Pernambuco, a proficiência no 5º ano ficou em 200,7 em português e 209,3 em matemática. Já no 9º ano, o índice foi de 250,4 em português e 248,8 em matemática. Ambos estão abaixo da média nacional. “Não podemos jogar a culpa nos municípios, o que precisa ser feito é trabalhar de forma integrada”, defendeu Amâncio.

“No Estado temos um resultado satisfatório – que  ainda está longe do ideal – no ensino médio devido ao quadro de professores e da perseverança da categoria em fazer pressão no governo. Em nível municipal, essa briga ainda é deficitária. Isso pode justificar os números”, aponta Fernando Melo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco.

  • Com informações do Diário de Pernambuco